29/06/2005 22:45
De-Lovely
(De-Lovely, EUA, Inglaterra, 2004)
Gênero: Musical
Duração: 125 min
Distribuidora: MGM
Elenco: Kevin Kline, Ashley Judd, Jonathan Pryce, Kevin McNally, Sandra Nelson, Allan Corduner, Peter Polycarpou, Keith Allen, James Wilby, Kevin McKidd, Richard Dillane
Diretor: Irwin Winkler
De-Lovely Vida e Amores de Cole Porter parece ter sido feito para vender CD. Prova disso é a presença de figuras de destaque na indústria pop atual em participações especiais e regravações que renderam uma trilha sonora que surpreende pelas escolhas corretas. Alanis Morrissette, por exemplo, está doce na dose certa ao interpretar Lets Do It. Sheryl Crow é o charme em pessoa com Begin the Beguine (extremamente mal traduzida, diga-se de passagem) e até mesmo o fraco Robbie Williams surpreende ao cantar a música tema de maneira mais do que satisfatória.
De fato a trilha é melhor do que o filme em si. Falta algo em De-Lovely capaz de coloca-lo entre os bons musicais da nova safra do cinema. Suas locações são impecáveis, sua direção de arte não derrapa em nenhum momento e seus figurinos são esplendorosos. Mesmo assim aquele sentimento ruim de que falta alguma coisa paira no ar.
Logo no início já temos a impressão de que o diretor está disposto a emocionar (talvez seja esse o grande problema, não sei). Sozinho em seu apartamento em Nova York, Cole Porter recebe uma visita inesperada. O estranho chama-se Gabe e o leva para um teatro vazio onde pessoas que fizeram parte de sua vida estão no palco. Numa retrospectiva, ele vê seus amores, a esposa, amigos e companheiros de trabalho num grande musical que remonta sua brilhante trajetória artística.
Tudo começa nos anos 20 em Paris, quando ele conhece Linda, que seria sua companheira em momentos felizes e tristes da vida. O fio condutor passa também por seus triunfos em escrever musicais, sua intensa vontade de viver e algumas decepções. O filme revela também o trágico momento em que sofreu um acidente que deixou sérias seqüelas em suas duas pernas (fato já retratado há décadas em Night and Day).
Obviamente De-Lovely é muito mais honesto do que o filme estrelado por Cary Grant. Cole Porter era homossexual e mantinha casos com vários homens durante o casamento que durou 38 anos. Parte destes relacionamentos são retratados de forma honesta durante o decorrer da narrativa (surpreendendo de certa maneira aqueles que esperam uma biografia burocrática do compositor).
Kevin Kline é simpático e bonito demais para viver Cole Porter (o que não quer dizer que ele esteja ruim em cena, pelo contrário, o ator se esforça para viver o compositor e se saí muito bem, especialmente na segunda metade do filme). Ashley Judd foi uma escolha correta para o papel de Linda, esposa de Porter. Pena que ela não tenha tido espaço suficiente para trabalhar as angustias de sua personagem.
De-lovely Vida e Amores de Cole Porter é um trabalho que decepciona de certa maneira. Serve ao menos para que a nova geração conheça melhor o trabalho deste grande compositor, cujas canções foram eternizadas por Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, entre tantos outros. Se essa foi a intenção do diretor trata-se um trabalho válido. Infelizmente, a impressão que tenho é que ele não quis ir muito além e pensando bem, acho que esse é o grande problema do filme (o algo mais que parece ter faltado).
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enviada por Rodrigo
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